O contragolpe vem pela direita paulista

Bruno Lima Rocha (@estanalise) – setembro de 2022

O ministro do STF e atual presidente do TSE, Alexandre de Moraes (apelidado de “Xandão” por sua mídia amiga) estabeleceu um Gabinete de Contingência e Crise, um órgão colegiado entre magistrados e o Conselho de Comandantes da PM. Gol.

Está fazendo 1 x 0 com a Familícia. Vão proibir celular na urna (assim dificulta ou realmente anula a possibilidade de comprovar a venda de votos) e porte de arma no dia da votação. Tiraram do ar quase todas as redes do Verme da Havan e da esposa do GH da Silveira. A “coisa vai apertando para o Coiso”, e liberando o espaço para o grande acórdão nacional.

Na entrevista para o Jornal Nacional (25/08/22), o ex-presidente Lula saiu sob aplausos escritos da Miriam Leitão (!!!). Sem brincadeira nem ironia, se a social-democracia não ganhar dessa vez, é porque a extrema direita realmente está criando um país para chamar de seu. Já se o bloco dos galinhas verdes, fariseus e milicos parasitas não virar a mesa – nem usar de ilegalidades durante o jogo liberal-burguês – será obra e graça da direita paulista, com o auxílio da Rede Globo e talvez até da embaixada da AmeriKKKa sob administração Biden.

“Xandão”, JK e a campanha de 1955

Sempre vale a pena recordar, analisar, estudar e fazer comparações possíveis da história política brasileira. Vejamos uma situação semelhante. Juscelino era médico e coronel comissionado da PM de Minas Gerais. Foi interventor em BH por indicação do Estado Novo e manteve vínculos com as polícias militares a partir de seu estado natal.

O “prefeito furacão” fez obras estruturais na então ainda nova capital mineira, mas estava muito preocupado com o poder de veto dos militares, os mesmos que derrubaram Vargas em outubro de 1945. No auge do “Queremismo”, Getúlio Dornelles não convocou a massa trabalhista na antiga capital federal para defender seu governo. Tampouco o fez em agosto de 1954. Juscelino tampouco ia fazê-lo, uma raposa do PSD não arrisca uma convocatória popular. No lugar da mobilização das bases sociais, já na sua campanha presidencial JK e sua equipe tiveram algumas ideias brilhantes de “marketing político”.

Uma delas, hoje condenável, foi incorporar um bandeirante e afirmar a meta que não constava nem em seu programa político, a criação da nova capital mais próxima do centro geográfico do país.

A outra era mais pragmática. Envergou o uniforme cáqui da PM de Minas, aquela instituição que profana a memória de Tiradentes – o único inconfidente duro que uma vez capturado, foi esquartejado enquanto os comerciantes da derrama pegaram exílio e desterro – e foi articulando com oficiais e suboficiais das polícias militares dos estados brasileiros existentes à época.

A meta era simples. Não queria necessariamente garantir um nicho eleitoral, mas tentar quebrar as cadeias de lealdades golpistas da extrema direita e da UDN encasteladas em parcelas do alto comando do Exército e das outras duas forças. Na metade da década ’50 do século passado, não havia EMFA unificado sob dois partidos militares ainda e nem Conselho de Segurança Nacional nos moldes da ditadura, ou seja, não era um conselho de Estado sob tutela militar. Tinha espaço para manobra dentro das forças armadas e nas forças auxiliares.

Quando os rumores de autogolpe e insubordinação militar galopavam durante a pandemia – em 2020 e na orgia coletiva do 07 de setembro de 2021 – a pergunta lógica era a seguinte: havia uma cadeia de comando golpista nas PMs? Sim ou não? Sem blablabla, sem enrolação e nem conspiração de Zap Zap?

O “Xandão” não quis pagar para ver e como alguém experiente ao lidar com a barra pesada do aparelho policial paulista, se antecipou. O Fux fez o mesmo gesto em 6 de setembro de 2021. Vejam bem. Quando até o beija pés da ex-1a dama do Rio sabe evitar um golpe de Estado é porque as coisas não são tão complicadas assim.

A encruzilhada do 7 de setembro

Faltando poucos dias para o sete de setembro, Bolsonaro, Braga Netto e sua trupe têm uma escolha: ou radicalizam as ameaças afiançando a própria base e tentando avançar pelo medo, ou forçam uma situação de “mal menor”, baixam temporariamente o tom, deixam a guerra suja nas redes sociais e fazem uma atividade do dia da independência mais semelhante ao tom de seu Plano de Governo.

Quanto mais radicaliza para a extrema direita, mais forte é sua base e mais isolado fica na própria direita. Não é pouco significativo o fato do União Brasil lançar candidatura própria, mesmo que simbólica. Tampouco é secundário o fato do Desgoverno ter rachado a própria direita, incluindo a direita paulista.

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