Para refletir: crime histórico e farsa política no México (D.F), parte 2: uma crítica a Diego Rivera e aos artistas e intelectuais stalinistas

Bruno Lima Rocha

Impressiona a capacidade artística e estética de Diego Rivera assim como toda a tradição muralista mexicana. Mas tal como Pablo Neruda e Jorge Amado dentre vários artistas de filiação estalinista, é preciso separar a obra dos homens e mulheres que as produzem.

Rivera comete uma série de crimes históricos em seus murais. No Palácio Nacional, sede do Poder Executivo do México há uma série de painéis de Rivera. No maior deles, na escada central da ala maior, um sexto do painel é dedicado à presença do marxismo no México. Tudo bem, direito dele – porque quem tem a censura como prática são os autoritários – mas seria interessante não confundir os assistentes. O Palácio funciona também como um museu gratuito e aberto todos os dias. Logo gera efeitos massivos. Aliado de fato do Partido Revolucionário Institucional, Rivera confunde quem não conhece minimamente a história das lutas sociais do país.

Num fundo de painel aparece uma faixa vermelha e negra com os dizeres Tierra y Libertad e com Emiliano Zapata segurando-a. Noutro canto do mural e de forma discreta os titulares de Regeneración e Revolución Social, como exemplares de jornais operários e populares como eram. À esquerda de quem olha, Marx em pessoa organiza as massas mexicanas em plena Revolução quando não havia marxismo organizado no país.

Foices e martelos decoram mártires e paisanos combatentes quando estes sequer conheciam tal ideologia com pretensões de ciência.

Operários, estivadores e camponeses seriam liderados por esta ideologia quando a mesma sequer existia!

Na livraria do palácio mais mentiras e confusão históricas. Um livro que seguia a tática discursiva do Museu Trotsky, quando produzem um calendário de analogias do marxismo europeu e as lutas sociais no México de evidente orientação e até equívocos do anarquismo presente.

Rivera foi viver nos EUA em um período de sua vida, pois sua crença evolucionista projetava a revolução em um país industrializado. O seu reconhecimento das matrizes pré-coloniais do México não dialogam com sua crença política. Ao reescrever e mentir sobre sua própria história, Rivera é coerente com sua ideologia totalitária e anti-povo por defender um sistema de crenças onde a soberania popular fica subordinada a uma direção isolada e com fortes tendências a legitimar a si mesmos. Quaisquer semelhanças dos murais esteticamente fantásticos e politicamente mentirosos, não são nenhuma coincidência.

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