As várias mortes de Vladimir Herzog durante o Jornal da Cultura

Ednardo D'_vila Mello (1911-1984)

por Bruno Lima Rocha  – 21 de dezembro de 2015

Sinceramente eu achei que jamais veria isso, ainda mais na TV Cultura. Hoje me dei o desprazer de assistir a este telejornal, pois estou aguardando ao Programa Roda Viva, cujo entrevistado é o jornalista Audálio Dantas, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo quando Vladimir Herzog foi “suicidado” nos porões do regime. Esta morte advém da Operação Jacarta – uma macabra alusão ao banho de sangue ocorrido na Indonésia após a deposição do presidente Sukarno através do  golpe  comandado pela CIA através do também general Suharto – e visava acabar com as bases do jornalismo vinculadas ao Partidão (PCB).

O PCB – linha de Moscou até a queda da URSS – era contra a luta armada e jamais imaginou que o governo Geisel (o qual este partido apoiava e tinha quadros médios na Embrafilme) caçaria seus militantes. No II Exército e o DOI-CODI sob seu comando pensavam diferente e em 25 de outubro Herzog foi trucidado dentro do aparelho repressivo. Hoje, com os absurdos comentários do historiador Marco Antônio Villa, relativizando o conceito de ditadura e trazendo esta ideia absurda da Folha de “ditabranda”, a memória jornalística dos brilhantes jornalistas como Vladimir Herzog e seus colegas de redação é assassinada todas as noites através da TV “pública” dos paulistas. Para quem cresceu vendo e desejando ver a televisão produzida pela Fundação Padre Anchieta como o padrão do audiovisual no país, é mais que uma decepção, trazendo uma mescla de amargura e ódio profundo.

No inferno, o então comandante do II Exército, o general Ednardo D’Ávila Mello (ilustração) e o seu comandante, o então ministro do Exército e golpista dentro do golpe, também general Sylvio Frota, devem estar celebrando. É uma lástima observar tal instituição pública se portar melhor durante o regime de exceção do que hoje. Infelizmente, ao ver os comentários de Marco Antonio Villa e o descaramento de Airton Soares – com sua indignação seletiva – traz a marca de um lacerdismo que ainda vive e dá coices. Villa era para mim um desconhecido até a UDN entrar em transe em função do pacto de classes do lulismo – com o PT desejando ser elite dirigente de uma fração de classe dominante que não o quer e jamais o quis -, mas Airton Soares sim é uma decepção. Este que escreve fez parte do Comitê pela Libertação de Lamia Maruf Hassan, uma brasileira filha de palestinos presa em Israel antes da primeira Intifada, e admirava o papel do então advogado de defesa de Lamia, Airton Soares. É absurda a linha editorial tramada através dos comentários de Villa e como tal tem de ser repelida.

Este comentário não tem nenhuma relação com uma posição chapa branca ou algo que o valha. Quem lê o que escreve este analista sabe exatamente de minha postura mais à esquerda e o distanciamento crítico – muito crítico – aos governos de Lula e Dilma. Neste momento, os genocidas sorriem nas profundezas ao assistirem ansiosamente os comentários de Marco Antonio Villa todas as noites.

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